O Paquistão é um país soberano situado no Sul da Ásia, funcionando como ponto de transição geográfico e cultural entre o subcontinente indiano, a Ásia Central e o Oriente Médio.
Quinta nação mais populosa do planeta e detentora de um expressivo arsenal nuclear, a nação destaca-se no cenário global por abrigar algumas das cadeias montanhosas mais elevadas da Terra, por ser o berço de uma das civilizações fluviais mais remotas da Antiguidade e pelo papel geopolítico estratégico que desempenha na segurança regional.
Dados gerais do Paquistão
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Nome oficial: República Islâmica do Paquistão (Islāmī Jumhūriyah Pākistān)
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Capital: Islamabad
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Área territorial: 881.913 km² (incluindo as regiões administradas da Caxemira)
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População: aproximadamente 245 milhões de habitantes
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Gentílico: paquistanês, paquistanesa
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Idiomas oficiais: urdu (língua nacional) e inglês (administração e justiça)
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Moeda: Rúpia paquistanesa (PKR)
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Forma de governo: República parlamentarista federal islâmica
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Fuso horário: UTC+5
Localização e fronteiras
O território paquistanês estende-se desde o litoral do Mar Arábico ao sul até os paredões de gelo do Himalaia e do Karakoram ao norte. O país faz fronteira terrestre com quatro nações:
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A leste: Índia
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A oeste: Irã
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A noroeste e norte: Afeganistão
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A nordeste: China
Ao sul, o país conta com mais de mil quilômetros de litoral voltados para o Mar Arábico, onde se situam o porto histórico de Carachi e o moderno complexo portuário de águas profundas de Gwadar, no estreito de Ormuz.
Ao norte, a região da Caxemira permanece como uma das áreas de maior atrito fronteiriço do planeta, dividida entre administrações de fato do Paquistão, da Índia e da China.
Geografia: relevo, hidrografia e clima
O quadro natural do Paquistão divide-se nitidamente entre os gigantescos maciços montanhosos do norte e do oeste e as extensas planícies aluviais do leste e do sul.
Relevo
Ao norte convergem três das maiores cordilheiras do globo: o Himalaia, o Karakoram e o Hindu Kush. É no Karakoram paquistanês que se ergue o K2 (Monte Godwin-Austen), a segunda montanha mais alta do planeta, com 8.611 metros de altitude, ao lado de dezenas de outros picos que ultrapassam os sete mil metros.
A oeste e sudoeste estende-se o árido Planalto do Baluchistão. Já a porção oriental é dominada pelas férteis planícies dos estados de Punjab e Sindh, limitadas a leste pelas dunas do Deserto de Thar.
Hidrografia
O Rio Indo (Sindhu) é o esteio hidrológico do país. Nascido no planalto tibetano, o Indo rasga o relevo montanhoso e corta o Paquistão de norte a sul ao longo de mais de três mil quilômetros antes de desaguar no Mar Arábico.
Alimentado por grandes afluentes que formam a região dos “cinco rios” (o Punjab) — como o Chenab, o Jhelum e o Ravi —, o Indo abastece a maior rede contínua de canais de irrigação agrícola artificial do mundo.
Clima e vegetação
Predomina o clima árido e semiárido na maior parte do território, com variações temperadas e alpinas rigorosas nas serras do norte.
O regime climático é fortemente dependente do sistema de monções de verão, que descarrega volumes expressivos de chuva entre julho e setembro, frequentemente desencadeando cheias nos vales fluviais.
A cobertura vegetal varia de florestas alpinas de pinheiros e cedros nas encostas do norte a matagais espinhosos, estepes e vegetações desérticas nas áreas centrais e litorâneas.
Formação histórica
O vale do Rio Indo abrigou a civilização de Harappa e Mohenjo-Daro por volta de 2500 a.C., uma das primeiras sociedades urbanas do mundo, célebre pela engenharia sanitária avançada e planejamento de cidades em grade regular.
Nos séculos seguintes, a região converteu-se em corredor de invasões e entreposto comercial por onde transitaram persas, macedônios sob Alexandre, o Grande, e impérios budistas que floresceram no reino de Gandhara.
A partir do século VIII, com a chegada de generais árabes e subsequentes incursões túrquico-persas, o Islã estabeleceu-se como a fé hegemônica regional.
Durante os séculos XVI a XIX, o território foi integrado ao Império Mogol, responsável por monumentos arquitetônicos como o Forte de Lahore e a Mesquita Badshahi.
No século XIX, o Império Britânico consolidou o controle sobre todo o subcontinente indiano. Com o enfraquecimento colonial após a Segunda Guerra Mundial, a Liga Muçulmana, liderada por Muhammad Ali Jinnah (reverenciado no país como Quaid-e-Azam, o “Grande Líder”), defendeu a “Teoria das Duas Nações”, argumentando que muçulmanos e hindus formavam povos distintos que demandavam Estados soberanos separados.
Em agosto de 1947, a retirada britânica resultou na violenta Partilha da Índia. O Paquistão nasceu como um país dividido em duas partes separadas por quase dois mil quilômetros de território indiano: o Paquistão Ocidental e o Paquistão Oriental.
As migrações em massa deixaram centenas de milhares de mortos e provocaram guerras imediatas pela posse do antigo principado da Caxemira.
Em 1971, tensões políticas internas e intervenção armada culminaram na Guerra de Libertação de Bangladesh, que levou à independência definitiva do Paquistão Oriental sob o nome de Bangladesh.
Economia
A economia paquistanesa combina uma expressiva base primária com parques manufatureiros têxteis e um dinâmico setor terciário urbano em cidades populosas como Carachi e Lahore.
O agronegócio emprega parcela representativa da mão de obra, sustentado pelas águas do Indo. O país figura entre os maiores produtores mundiais de algodão em pluma, trigo, cana-de-açúcar, manga e arroz aromático da variedade Basmati.
A indústria têxtil e de confecções é a vanguarda do setor de exportações, respondendo pela maior fatia das vendas externas do país para mercados ocidentais.
Destacam-se ainda a produção de artigos de couro, calçados esportivos e um consagrado polo de cutelaria fina e fabricação de instrumentos cirúrgicos de precisão sediado na cidade de Sialkot.
Em termos de infraestrutura logística, o Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), integrado à Nova Rota da Seda, mobiliza dezenas de bilhões de dólares em investimentos na construção de ferrovias, usinas geradoras de energia e na ampliação estratégica do porto de Gwadar, encurtando rotas marítimas petrolíferas do Golfo Pérsico para o oeste chinês.
Sociedade e cultura
O Paquistão abriga uma sociedade multiétnica e multilíngue. Os principais grupos étnicos compõem-se de punjabis (o contingente majoritário), pashtuns, sindis, saraikis e balúchis.
O urdu atua como idioma neutro unificador de comunicação interestadual, embora a maioria fale suas línguas regionais no âmbito familiar.
Mais de 96% dos cidadãos professam o Islã (com predomínio sunita e expressiva comunidade xiita), existindo minorias de cristãos e hindus.
No campo artístico e musical, sobressai o Qawwali, gênero musical devocional sufi de ritmos hipnóticos e coros poéticos que ganhou alcance mundial pela voz do lendário mestre Nusrat Fateh Ali Khan.
O esporte é vivido com fervor popular: o críquete é a grande paixão coletiva, paralisando vilas e metrópoles em dias de partidas da seleção nacional, especialmente nos clássicos disputados contra a Índia.
A mesa paquistanesa reflete a rica fusão das tradições do sul asiático com temperos da Ásia Central.
Destacam-se preparos condimentados e perfumados à base de carneiro, boi e frango, como o biryani (arroz temperado em camadas com açafrão, especiarias e carne), os espetos marinados de seekh kebab, pães assados na parede de barro dos fornos tandoor (como o naan) e o clássico nihari, um ensopado denso de cozimento lento servido no café da manhã com fatias finas de gengibre e suco de limão.
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