A República Popular de Bangladesh é um país soberano localizado no Sul da Ásia, ocupando a fértil planície aluvial que forma o maior delta fluvial do planeta.
É um dos países com maior densidade demográfica do mundo, concentrando mais de 170 milhões de habitantes em uma área territorial menor que a do estado do Ceará ou do Paraná.
Marcado por uma história de luta pela soberania cultural e linguística que culminou em sua independência nos anos 1970, Bangladesh transformou-se nas últimas décadas em uma das potências industriais de confecção e vestuário mais dinâmicas do mercado internacional.
Dados gerais de Bangladesh
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Nome oficial: República Popular de Bangladesh (Gôno-prôjatôntrī Bangladesh)
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Capital: Daca
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Área territorial: 148.460 km²
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População: aproximadamente 173 milhões de habitantes
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Gentílico: bengali ou bangladexiano, bangladexiana
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Idioma oficial: bengali (ou bangla)
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Moeda: Taka de Bangladesh (BDT)
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Forma de governo: República parlamentarista unitária
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Fuso horário: UTC+6
Localização e fronteiras
Situado na porção oriental do subcontinente indiano, Bangladesh é quase inteiramente abraçado territorialmente pela Índia. Suas fronteiras terrestres distribuem-se da seguinte forma:
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A oeste, norte e leste: Índia (estados de Bengala Ocidental, Assam, Meghalaya, Tripura e Mizoram)
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Ao sudeste: Mianmar (antiga Birmânia)
A porção sul abre-se diretamente para as águas do Golfo de Bengala, onde desemboca a imensa rede hidrográfica do país e onde opera o Porto de Chatigão (Chittagong), principal via de comércio marítimo nacional.
Geografia: relevo, hidrografia e clima
O meio físico de Bangladesh é singular por ser estruturado quase inteiramente pela dinâmica das águas fluviais e marítimas.
Relevo
O país assenta-se sobre o gigantesco Delta de Bengala (ou Delta do Ganges-Brahmaputra). A maior parte do território é formada por planícies aluviais extremamente baixas e planas, com altitudes que raramente ultrapassam 10 a 12 metros acima do nível do mar.
As únicas elevações expressivas concentram-se no extremo sudeste, nas chamadas Colinas de Chittagong (Chittagong Hill Tracts), onde se situa o ponto mais alto do país, o pico Saka Haphong, com cerca de 1.052 metros de altitude.
Hidrografia
Mais de 700 rios e afluentes entrecortam o solo bengali. Os três maiores eixos fluviais são o Rio Padma (o curso inferior do Rio Ganges ao entrar no país), o Rio Jamuna (curso principal do imenso Rio Bramaputra) e o Rio Meghna.
O encontro colossal dessas águas transporta bilhões de toneladas de sedimentos que renovam anualmente a fertilidade das terras agrícolas, mas que também deixam o território vulnerável a inundações sazonais generalizadas.
No litoral sudoeste estende-se o complexo de Sundarbans, a maior floresta de manguezal contínua da Terra, famosa mundialmente por abrigar a maior população silvestre do Tigre-de-bengala.
Clima e vegetação
O clima predominante é o tropical de monção, caracterizado por temperaturas elevadas o ano todo e uma estação chuvosa intensa entre junho e outubro, que descarrega a imensa maioria da precipitação anual.
A vulnerabilidade a ciclones tropicais severos formados no Golfo de Bengala faz do país uma das frentes mais sensíveis aos efeitos do aquecimento global e à subida das marés.
A vegetação nativa mescla manguezais densos no litoral, florestas tropicais úmidas nas serras orientais e vegetação ripária nos diques e ilhas de areia fluviais (chars).
Formação histórica
A região histórica de Bengala floresceu na Antiguidade como polo de comércio de especiarias e tecidos finos, integrando grandes impérios hindus e budistas antes de ser convertida gradualmente ao Islã a partir do século XIII por governantes túrquicos e pregadores sufis.
No século XVI, tornou-se a província mais rica e próspera do Império Mogol (Subah Bangalah), célebre por sua fabulosa manufatura têxtil de musselina.
No século XVIII, a Batalha de Plassey (1757) inaugurou o domínio colonial da Companhia Britânica das Índias Orientais sobre a região, marco inicial da ocupação britânica em todo o subcontinente indiano.
Com a independência e a subsequente Partilha da Índia em 1947, a província de Bengala foi dividida por critérios religiosos: a metade ocidental de maioria hindu permaneceu com a Índia (atual estado de Bengala Ocidental), enquanto a metade oriental de maioria muçulmana foi anexada ao Paquistão sob o nome de Paquistão Oriental.
A distância geográfica de quase dois mil quilômetros entre as duas alas paquistanesas somou-se à marginalização política e à imposição forçada do idioma urdu como língua estatal exclusiva sobre a população bengali.
A resistência gerou o histórico Movimento pela Língua Bengali em 1952 (data que mais tarde originou o Dia Internacional da Língua Materna da UNESCO).
As tensões explodiram na violenta Guerra de Libertação de Bangladesh em 1971. Liderada por Sheikh Mujibur Rahman e apoiada militarmente pela Índia, a resistência armada bengali (Mukti Bahini) venceu as tropas do Paquistão, formalizando o nascimento de Bangladesh como nação soberana em 26 de março de 1971.
Economia
A economia bengali apresentou taxas consistentes de crescimento nas últimas décadas, deixando para trás o estigma de vulnerabilidade crônica para se consolidar como um polo exportador de manufaturas.
O motor primordial das exportações é o setor têxtil e de confecções prontas (Ready-Made Garments – RMG).
Bangladesh figura como o segundo maior exportador global de roupas e vestuário do planeta, abastecendo grandes redes varejistas internacionais da Europa e dos Estados Unidos com peças de algodão e malharia.
Na agricultura, o cultivo de arroz em áreas aluviais irrigadas garante a base da segurança alimentar interna, complementado pela produção de juta (da qual o país é o maior exportador mundial de fibra natural), chá nas colinas de Sylhet, batata e pescados de água doce.
O setor financeiro social ganhou notoriedade internacional a partir das iniciativas pioneiras do economista Muhammad Yunus e do Grameen Bank na criação do microcrédito, modelo de empréstimos comunitários voltados para populações de baixa renda e mulheres rurais que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2006.
Sociedade e cultura
A sociedade de Bangladesh apresenta alta homogeneidade étnico-linguística: cerca de 98% da população é de etnia bengali e se expressa no idioma bangla, possuidor de um alfabeto próprio derivado do brâmico.
O Islã sunita é a fé professada por cerca de 90% dos cidadãos, existindo uma minoria expressiva de hindus (em torno de 9%), além de pequenas comunidades cristãs e budistas.
A literatura e a poesia ocupam posição central na identidade nacional, com reverência máxima à figura de Rabindranath Tagore — primeiro não europeu a vencer o Prêmio Nobel de Literatura em 1913 e autor da letra do hino nacional de Bangladesh (Amar Sonar Bangla).
O esporte mais popular do país é o críquete, cujas partidas da seleção nacional mobilizam multidões festivas com roupas nas cores verde e vermelha da bandeira em estádios lotados em Daca e Chittagong.
A culinária típica apoia-se no proverbio popular “māchhe-bhāte bāngālī” (o peixe e o arroz fazem o bengali).
Os pratos principais combinam peixes de rio — com destaque para o cobiçado ilish (hilsa), peixe nacional marinado em pasta de mostarda picante e pimentas verdes —, lentilhas temperadas (dal), caril de vegetais e doces artesanais clássicos à base de leite e queijo fresco em calda de açúcar, como o rasgulla e o sandesh.
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