A perífrase é uma figura de linguagem (mais especificamente, uma figura de palavra ou de pensamento) que consiste em substituir um termo direto por uma expressão mais longa e descritiva que o caracterize.
Trata-se de um recurso muito utilizado para enriquecer o texto, evitar repetições cansativas de nomes próprios ou comuns e destacar qualidades marcantes de um ser, lugar ou objeto.
No dia a dia, a perífrase é tão natural que muitas vezes a usamos sem perceber, como ao nos referirmos ao “país do futebol” em vez de dizer apenas “Brasil”.
O que é perífrase?
A palavra tem origem no grego períphrasis, que significa “falar ao redor” ou “dar voltas”.
Na prática, é exatamente isso o que a figura faz, pois em vez de nomear algo diretamente, ela cria uma espécie de “rodeio de palavras” que descreve suas características mais marcantes, sua história ou sua fama, permitindo que o leitor ou ouvinte identifique o alvo da mensagem imediatamente.
Por exemplo, em vez de escrever:
“O Sol despontou no horizonte.”
O autor pode optar por:
“O astro-rei despontou no horizonte.”
A substituição de “Sol” por “astro-rei” é uma perífrase, pois utiliza uma qualidade amplamente conhecida da estrela para se referir a ela de forma indireta e estilizada.
Principais tipos de perífrase e exemplos
A perífrase pode ser aplicada a pessoas, lugares, animais ou objetos. A seguir, veja os exemplos mais comuns divididos por categorias cotidianas e históricas:
1. Refere-se a lugares (Perífrase Geográfica)
Usa-se uma expressão que exalta características naturais, históricas ou culturais de cidades, estados e países.
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A Cidade Maravilhosa: Rio de Janeiro.
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Exemplo: “Vou passar minhas próximas férias na Cidade Maravilhosa.”
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A Terra da Garoa: São Paulo.
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Exemplo: “O trânsito na Terra da Garoa estava caótico nesta manhã.”
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O Velho Continente: Europa.
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Exemplo: “Muitos jovens sonham em mochilar pelo Velho Continente.”
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O País do Futebol: Brasil.
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Exemplo: “As atenções do país do futebol estão voltadas para o campeonato.”
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A Terra do Sol Nascente: Japão.
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Exemplo: “A tecnologia desenvolvida na Terra do Sol Nascente impressiona o mundo.”
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2. Refere-se a animais ou elementos naturais
Substitui o nome comum de espécies ou fenômenos por títulos ou descrições consagradas.
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O rei da selva: o leão.
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Exemplo: “O documentário mostrou a rotina do rei da selva.”
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O melhor amigo do homem: o cão/cachorro.
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Exemplo: “Adotei o que dizem ser o melhor amigo do homem.”
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O ouro negro: o petróleo.
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Exemplo: “A busca pelo ouro negro move a economia global.”
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O astro-rei: o Sol.
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Exemplo: “Amanheceu e o astro-rei logo aqueceu a praia.”
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3. Refere-se a pessoas (Antonomásia)
Quando a perífrase é usada especificamente para substituir o nome de uma personalidade histórica, artística ou religiosa famosa por meio de suas qualidades, apelidos ou feitos, ela recebe o nome especial de antonomásia.
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O Poeta dos Escravos: Castro Alves.
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Exemplo: “Estudamos a obra do Poeta dos Escravos na aula de literatura.”
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O Rei do Futebol: Pelé.
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Exemplo: “O mundo reverenciou a genialidade do Rei do Futebol.”
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O Pai da Aviação: Santos Dumont.
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Exemplo: “O invento do Pai da Aviação mudou a história da humanidade.”
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A Rainha do Baixinhos: Xuxa Meneghel.
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Exemplo: “Ela foi a grande atração infantil conhecida como a Rainha dos Baixinhos.”
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Diferença entre perífrase, antonomásia e eufemismo
Embora parecidas, essas figuras de linguagem não devem ser confundidas:
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Perífrase: É o termo geral para a substituição de qualquer nome (comum, de coisa, animal ou lugar) por uma expressão descritiva. Exemplo: “O calor do astro-rei” (Sol).
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Antonomásia: É uma especificação da perífrase. Ocorre exclusivamente quando a substituição envolve o nome de uma pessoa de grande notoriedade (personagens históricos, artistas, santos, etc.). Exemplo: “O Filho de Deus” (Jesus Cristo).
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Eufemismo: Também usa mais palavras para suavizar uma ideia desagradável, chocante ou triste, mas seu objetivo é apenas a polidez, e não a mera caracterização. Exemplo: “Ele partiu desta para uma melhor” (em vez de “morreu”).
A perífrase no texto: para que serve?
O uso da perífrase vai muito além do embelezamento estético de poemas e crônicas. Trata-se de um excelente recurso de coesão textual.
Ao escrever uma redação, por exemplo, repetir o nome “Brasil” ou “São Paulo” várias vezes empobrece o texto e cansa o leitor.
Substituir esses termos por “a maior economia do país” ou “a nação verde e amarela” confere fluidez e demonstra domínio de vocabulário e repertório sociocultural pelo autor.
Exercícios resolvidos
Questão 1
(IBFC/Adaptada)
Identifique a alternativa em que ocorre o uso de uma perífrase:
a) Ele é forte como um touro.
b) A Cidade Luz atrai milhões de turistas todos os anos.
c) O trânsito de São Paulo é um leão faminto.
d) A vida é um palco de ilusões.
e) Chorou lágrimas amargas de arrependimento.
Resposta correta: B
Comentário: A expressão “Cidade Luz” substitui de forma descritiva e consagrada o nome da cidade de Paris, o que caracteriza uma perífrase. As opções A, C e D trazem comparações e metáforas, enquanto a E apresenta um pleonasmo e metáfora.
Questão 2
A antonomásia, considerada uma variação da perífrase, está presente em qual das opções abaixo?
a) Fomos visitar a Terra da Garoa no feriado de janeiro.
b) Aquele jovem é um verdadeiro anjo de bondade.
c) O “Poeta da Vila” compôs sambas inesquecíveis que atravessaram gerações.
d) O ouro negro continua sendo uma das fontes de energia mais disputadas.
e) A mesa do escritório tinha um pé quebrado.
Resposta correta: C
Comentário: A expressão “Poeta da Vila” refere-se especificamente ao compositor Noel Rosa (uma pessoa de notoriedade histórica/cultural), o que configura uma antonomásia. As alternativas A e D são perífrases de lugar e coisa, respectivamente; B é uma metáfora e E é uma catacrese (“pé”).
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