O amor é fogo que arde sem se ver.” Quando Luís de Camões escreveu esse verso famoso, ele não quis dizer que o amor é literalmente uma fogueira de São João. Ele usou uma Metáfora.
A metáfora é o recurso mais poderoso da língua portuguesa para criar significados novos. Ela está na literatura, na música e até nas gírias que usamos no WhatsApp. Mas você sabe identificar quando é metáfora e quando é apenas uma comparação?
O que é metáfora?
A Metáfora é uma Figura de Palavra (ou Semântica) que consiste em fazer uma comparação implícita.
Basicamente, você substitui o sentido real de uma palavra por um sentido figurado, baseando-se em uma semelhança entre os dois elementos, mas sem usar conectivos de comparação (como: “tal qual”, “como”, “parece”).
É uma afirmação direta que transfere as características de um ser para outro.
-
Exemplo: “Aquele goleiro é um muro.”
-
Sentido: O goleiro não é feito de tijolos. A metáfora transfere a característica do muro (impenetrável, sólido) para o jogador.
-
Metáfora x Comparação
Essa é a dúvida número 1 nas provas. A diferença é apenas uma palavrinha.
-
Comparação (Explícita): Usa conectivos. Você avisa que está comparando.
-
“Ela é como uma flor.”
-
“O tempo passa tão rápido quanto um trem.”
-
-
Metáfora (Implícita): Não usa conectivos. Você afirma que uma coisa É a outra.
-
“Ela é uma flor.”
-
“O tempo é um trem desgovernado.”
-
Macete: Se tiver “como”, “feito”, “tal qual” ou “parece”, não é metáfora. É comparação.
Exemplos práticos de metáfora
Para fixar, veja como a metáfora aparece em diferentes contextos:
1. No cotidiano (gírias)
-
“Minha mãe é uma onça quando fica brava.” (Brava/Perigosa)
-
“Aquele vendedor é uma raposa.” (Esperto/Traiçoeiro)
-
“Fulano tem um coração de pedra.” (Insensível/Duro)
-
“Esse problema é um abacaxi para descascar.” (Difícil/Trabalhoso)
2. Na música brasileira
A MPB e o Rock Nacional amam metáforas.
-
Legião Urbana: “Monte Castelo” cita Camões (“O amor é fogo…”).
-
Alceu Valença: “Tu vens, tu vens… Eu já escuto os teus sinais.” (Sinais aqui é metáfora para a esperança ou a chegada da amada).
-
Cazuza: “A vida é um museu de grandes novidades” (Ou seja, a vida repete o passado).
Curiosidade
Às vezes, usamos uma metáfora tantas vezes que esquecemos que ela é uma metáfora. Ela vira o nome oficial do objeto. Isso se chama Catacrese.
Exemplos de metáforas que viraram catacrese:
-
Pé da mesa (Mesa não tem pé, mas usamos por semelhança).
-
Dente de alho.
-
Braço do sofá.
-
Embarcar no avião (Originalmente, “embarcar” era só para barcos, mas “pegamos emprestado” para o avião).
1 comentário