“Meu filho não pode ir!” ou seria “meu filho não pôde ir”?
Na língua portuguesa, encontramos palavras que são escritas com as mesmas letras, mas têm significados e pronúncias diferentes. Essas palavras são chamadas de homônimas ou homógrafas.
O acento diferencial, que passou por mudanças com o Novo Acordo Ortográfico, serve justamente para evitar confusões desse tipo, E um dos poucos casos que ainda permanecem é o das palavras “pôde” e “pode”, tema deste artigo do TD.
“Pôde” e “pode”: ambas existem, mas cada uma no seu tempo
A reforma ortográfica aboliu a maioria dos acentos diferenciais, mas dois casos ainda resistem:
-
o acento do verbo “pôr”, para diferenciá-lo da preposição “por”;
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e o acento do verbo “pôde”, para diferenciá-lo de “pode”.
Então, sim: “pôde” e “pode” existem, são formas corretas, mas têm usos distintos.
“Pôde”, com acento, é o pretérito perfeito do verbo “poder” (passado).
“Pode”, sem acento, é a forma do presente do indicativo.
Exemplos:
Ontem o gerente não pôde atender; hoje ele pode.
Ontem ela não pôde sair de casa; hoje ela pode.
Esses exemplos são típicos em gramáticas como a de Evanildo Bechara, um dos maiores linguistas brasileiros, referência no estudo da norma culta da Língua Portuguesa.
Acentos diferenciais que foram abolidos da Língua Portuguesa
Com a reforma ortográfica, muitos acentos diferenciais caíram. Veja alguns exemplos no quadro abaixo:
| Antes | Depois |
|---|---|
| Pára | Para |
| Pêlo | Pelo |
| Pólo | Polo |
| Pêra | Pera |
| Péla | Pela |
Obs: o caso de “fôrma” (molde) continua com o acento sendo opcional, pra diferenciar de forma (modo, jeito).
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