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Dona Militana: biografia e obra da romanceira dos oiteiros

dona militana cantora de versos
Dona Militana nasceu em São Gonçalo do Amarante (RN). Foto: Reprodução/Canindé Soares

Dona Militana é considerada uma das mais importantes romanceiras do Brasil.

A artista, que ficou conhecida como a romanceira dos Oiteiros, em referência ao nome da localidade onde nasceu, viveu e morreu, no município de São Gonçalo do Amarante (RN), tornou-se conhecida a partir dos anos 90, após o trabalho do antropólogo e pesquisador do folclore do Rio Grande do Norte, Deífilo Gurgel.

Confira, neste artigo, detalhes sobre a biografia e a vida de Dona Militana.

De acordo com historiadores, Dona Militana trabalhou desde os sete anos de idade ajudando seus pais no plantio de feijão e de mandioca. Ela era proibida de cantar pelo pai, mas isso não a impediu de memorizar, durante a sua vida na roça, versos de romances, principalmente oriundos da cultura ibérica, recitados por ele.

A cantora, que morreu no ano de 2010, hoje é homenageada em diversos equipamentos públicos no estado do Rio Grande do Norte.

Em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal, dá seu nome à biblioteca pública municipal da cidade.

Fachada da biblioteca pública Municipal Romanceira Dona Militana, em São Gonçalo do Amarante (RN).
A biblioteca pública municipal de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, leva o nome de Dona Militana, em homenagem à romanceira. Foto: Foto: Reprodução/ Prefeitura de S.G.A

Biografia de Dona Militana, a maior romanceira do Brasil

Nascida no dia 19 de março de 1925, no Sítio Oiteiro, no município potiguar de São Gonçalo do Amarante, situado no Rio Grande do Norte, foi batizada como Militana Salustino do Nascimento, mas na verdade gostava de ser chamada de Maria José, em virtude ter nascido no dia de São José, santo para qual era devota.

Casa da Romanceira Dona Militana, em São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte
Na foto, a casa onde morou Dona Militana, no Sítio Oiteiro, em São Gonçalo do Amarante (RN). Foto: Reprodução/ HL Filmes

“Lá nos barreiros onde eu nasci, em São Gonçalo onde me criei, eu vou voltar pra o meu Sítio Oiteiro, adeus Rio de Janeiro, adeus.”

Recita, Dona Militana, despedindo-se do Rio de Janeiro, durante sua participação no espetáculo “Lunário Perpétuo”, no Teatro João Caetano.

Ela era filha de uma das mais ilustres figuras culturais da região, o mestre de fandango Atanásio Salustino do Nascimento, e de Maria Militana do Nascimento, de quem herdou o nome.

Em 1990, quando tinha 65 anos de idade, Dona Militana e seus cantos foram “descobertos” pelo antropólogo e folclorista potiguar, Deífilo Gurgel. Após isso, sua vida mudou. Gurgel começou a catalogar e divulgar o trabalho dela em vários estados do país, tornando-a conhecida. Com isso, ela passou a ser convidada para participar de diversos eventos e apresentações culturais em todo o Brasil.

Em 2002, foi lançado o seu primeiro CD, intitulado de “Cantares”, no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Em 2005, Dona Militana foi agraciada pelo presidente da república à época, Luiz Inácio Lula da Silva, pela Comenda Máxima da Cultura Popular, em Brasília. Um reconhecimento muitíssimo importante para artistas culturais, cobiçados por muitos.

Carreira

Desde criança, Dona Militana interessou-se por cantoria de versos. Aprendeu suas primeiras cantorias ao ouvir as memórias de seu pai, Seu Atanásio, que era uma importante figura folclórica local. Inicialmente, ele a proibia de cantar.

De acordo com historiadores da Prefeitura Municipal de São Gonçalo do Amarante, a cantora guardava, em sua memória, através da tradição oral, passa por Seu Atanásio, praticamente um acervo da cultura popular.

Romances, principalmente de origem da cultura medieval e ibérica, onde eram retratadas histórias de bravos guerreiros, de reis, princesas, duques e duquesas faziam parte do “repertório” preferido por Militana, que também cantava coco, moirão, toadas de boi, aboios, fandangos e modinhas.

Em 2010, Dona Militana participou do um documentário sobre sua vida, que foi exibido em diversos festivais culturais do Brasil.
Em 2010, Dona Militana participou do um documentário sobre sua vida, que foi exibido em diversos festivais culturais do Brasil. Foto: Reprodução/HL Filmes

Na maioria das vezes, os cantos de Militana tratavam-se de histórias trágicas. Um deles era sobre uma esposa que chora pela ausência do marido, enquanto alimenta seu filho com o “leite da amargura”, despedindo-se da vida. Outros romances, como “Nau Catarineta”, traziam poesias de terras distantes, desconhecidas, lugares por onde Militana tão somente navegava com a memória e a imaginação.

No vídeo abaixo, podemos ouvir todos os versos de Dona Militana no CD “Cantares”, lançado em 2002, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Aeroporto de Natal

Em 2011, cogitou-se homenagear Dona Militana mais uma vez. Desta vez, dando seu nome ao novo aeroporto de Natal, que estava sendo construído na cidade natal da artista, São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana da Capital, em substituição ao antigo, que ficava na cidade de Parnamirim.

O terminal aeroportuário foi construído para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, que tinha Natal como uma das cidades-sede. Entretanto, ao final, o nome do ex-governador Aluízio Alves foi escolhido. Com isso, o aeroporto chama-se atualmente Aeroporto Internacional Governador Aluízio Alves.

Morte: confira detalhes sobre a morte da romanceira Dona Militana

Faleceu aos 85 anos de idade no dia 19 de junho de 2010, em sua casa, onde morava com filhos, netos, bisnetos e tataranetos, no sítio Oiteiro, em São Gonçalo do Amarante, local onde nasceu, viveu e morreu.

Poucos dias antes de morrer, Dona Militana sentiu-se mal e foi socorrida para um hospital, onde ficou internada por alguns dias. Tendo alta médica, a mesma retornou à sua casa mesmo estando muito debilitada.

Neste período, ela estava sem falar e se alimentando através de uma sonda gástrica. Em sua residência, a cantora permanecia aos cuidados de familiares. Dias após o retorno para casa, ela faleceu de forma repentina. Em virtude de sua morte, a prefeitura da cidade decretou luto oficial por três dias.

A família pediu para que ocorressem dois velórios; um em casa, reservado para à família, e outro público, no Teatro Municipal Prefeito Poti Cavalcante, onde fãs puderam ir dar o seu último adeus à romanceira dos oiteiros.

Em virtude do falecimento da artista, diversos políticos e autoridades se manifestaram publicamente em solidariedade à família, alguns estiveram no velório.

Após as cerimônias de corpo presente, o corpo de Dona Militana foi sepultado às 14 horas, do dia 20 de junho de 2010, no Cemitério Público da cidade.

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Paulo Silva (graduando em Pedagogia)

Paulo Silva (graduando em Pedagogia)

Graduando em Pedagogia no Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi) e jornalista com registro profissional no Ministério do Trabalho de n° 2022/RN. É editor de conteúdos escolares e universitários do site Toda Disciplina desde maio 2019. Tem interesse em estudos sobre gênero, sexualidade., religiões de matriz africana e protestantes. Contato: paulo@todadisciplina.com.br

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