Carolina Maria de Jesus (1914–1977) foi uma escritora, compositora e poetisa brasileira.
Considerada uma das vozes mais marcantes da literatura periférica e memorialística do país, ganhou projeção internacional com o livro Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada, publicado em 1960.
Com um relato contundente sobre a fome, a maternidade e a miséria na favela do Canindé, em São Paulo, tornou-se uma referência central na história literária e nos estudos sociais do Brasil.
Dados Biográficos
| Informação | Dado |
| Nome completo | Carolina Maria de Jesus |
| Nascimento | 14 de março de 1914, Sacramento (Minas Gerais) |
| Morte | 13 de fevereiro de 1977 (aos 62 anos), São Paulo (SP) |
| Nacionalidade | Brasileira |
| Ocupação | Escritora, compositora, cantora e catadora de materiais recicláveis |
| Gênero literário | Literatura de testemunho, diários, poesia, crônica e memórias |
| Principal obra | Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960) |
Infância
Carolina nasceu no interior de Minas Gerais, filha de pais meeiros, em uma comunidade de extrema pobreza.
Apesar das condições difíceis, frequentou a escola por apenas dois anos, período suficiente para desenvolver uma paixão autodidata pela leitura e pela escrita, absorvendo clássicos e revistas que encontrava pelo caminho.
Durante a juventude, trabalhou na lavoura e como empregada doméstica em cidades do interior mineiro e paulista. Em busca de melhores condições de vida, migrou para a capital paulista em 1937.
A vida na Favela do Canindé
Em 1947, grávida e sem moradia, Carolina construiu seu próprio barraco na extinta favela do Canindé, às margens do rio Tietê, na zona norte de São Paulo.
Para sustentar seus três filhos — João José, José Carlos e Vera Eunice —, trabalhava diariamente como catadora de papéis e ferro-velho.
Nas folhas de cadernos e livros usados que recolhia no lixo, Carolina registrava o cotidiano da comunidade, a truculência da fome, as brigas de vizinhos, o alcoolismo e a indiferença dos políticos. Entre sacos de sucata e panelas vazias, produzia contos, poemas, peças de teatro e diários reflexivos.
A publicação de Quarto de Despejo
Em 1958, o jornalista Audálio Dantas conheceu os escritos de Carolina ao cobrir a inauguração de um parque infantil no bairro.
Impressionado com a força descritiva dos cadernos, Dantas publicou alguns trechos no jornal e trabalhou na edição dos diários.
Lançado em agosto de 1960, Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada tornou-se um fenômeno editorial instantâneo.
A primeira tiragem de 10 mil exemplares esgotou-se em uma semana. A obra vendeu mais de 100 mil cópias em poucos meses, foi traduzida para mais de 15 idiomas e circulou em mais de 40 países, garantindo a saída de Carolina da favela e sua inserção na cena cultural nacional.
Obras posteriores e isolamento
Após o sucesso estrondoso da estreia, Carolina compôs e gravou um disco de samba com canções autorais (Quarto de Despejo, 1961) e publicou outros livros, como Casa de Alvenaria (1961), Pedaços da Fome (1963) e Provérbios (1963).
Contudo, o mercado literário da época e a crítica conservadora passaram a marginalizar suas produções quando a escritora se recusou a limitar suas pautas ao estereótipo da miséria.
Com o declínio das vendas e o desinteresse midiático, enfrentou dificuldades financeiras e mudou-se para um sítio em Parelheiros, no extremo sul de São Paulo, onde viveu modestamente até falecer em 1977, vítima de insuficiência respiratória decorrente de asma
Postumamente, sua obra foi redescoberta e alçada ao cânone literário brasileiro, sendo tema recorrente no ENEM e em vestibulares de todo o país.
Principais obras de Carolina Maria de Jesus
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Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada (1960): Registros em forma de diário sobre a fome crônica e a luta diária pela sobrevivência na favela do Canindé.
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Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-Favelada (1961): Crônica sobre a mudança para o bairro de Santana, as viagens de divulgação e o impacto da fama repentina.
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Pedaços da Fome (1963): Romance ficcional que retrata as contradições sociais e o drama de migrantes do campo na cidade grande.
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Diário de Bitita (1986, póstumo): Livro de memórias da infância e da juventude em Sacramento, abordando o preconceito racial e as sequelas do pós-abolição.
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