Orixás: o que são, história e principais divindades

Os Orixás são divindades originárias da mitologia iorubá, um dos maiores grupos étnicos do continente africano, localizado principalmente na região onde hoje ficam a Nigéria e o Benin.

No Brasil, essas entidades formam a base das religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda.

Diferente da visão ocidental de deuses distantes, os Orixás estão intimamente ligados às forças da natureza e às características da personalidade humana.

Oxóssi é o orixá da caça e da fatura.
Oxóssi é o orixá da caça e da fatura. Foto: Reprodução/Agência Cenarium

Cada divindade rege um elemento natural (como as águas, os ventos, as matas e o fogo) e atua como um ancestral divinizado que orienta e protege seus seguidores.

O que são os Orixás?

Segundo a tradição iorubá, o deus supremo, Olorum (ou Olodumare), criou o universo, mas delegou aos Orixás a tarefa de governar o mundo material (o Aiyê) e administrar as forças naturais.

Originalmente, na África, existiam centenas de Orixás, e muitas vezes o culto a uma divindade específica era restrito a uma única cidade ou tribo.

Com a diáspora africana e a escravidão, africanos de diversas regiões foram trazidos para o Brasil. Para preservar sua fé, as diferentes nações unificaram seus cultos, e os Orixás passaram a ser reverenciados de forma conjunta nos terreiros brasileiros.

Principais Orixás e suas Características

Embora existam dezenas de Orixás conhecidos, alguns ganharam maior destaque e popularidade na cultura brasileira.

Conheça os principais:

  • Exu: É o mensageiro entre o mundo dos humanos e o mundo dos deuses (Orum). Representa a comunicação, o movimento, as encruzilhadas e a vitalidade. É sempre o primeiro a ser reverenciado nos rituais.

  • Ogum: Orixá da guerra, da tecnologia, da metalurgia e da agricultura. É quem abre os caminhos e protege seus filhos nas lutas diárias. Seu elemento é o ferro.

  • Oxóssi: Orixá das matas, da caça e da fartura. Representa a busca pelo conhecimento, a estratégia e a provisão. É o padroeiro dos caçadores.

  • Xangô: Senhor do trovão, dos raios e do fogo. É o Orixá que representa a justiça, a razão e a lei. Seu símbolo principal é o oxê, um machado de duas lâminas.

  • Iemanjá: A “Rainha do Mar”. É a padroeira dos pescadores, símbolo da maternidade, da proteção e da fertilidade. É uma das divindades mais populares do Brasil.

  • Oxum: Orixá das águas doces, dos rios e das cachoeiras. Representa o amor, a beleza, a riqueza, o ouro e a diplomacia.

  • Iansã (Oyá): Senhora dos ventos, dos raios e das tempestades. É uma guerreira valente, independente e passional. Também tem forte ligação com o mundo dos mortos (os eguns).

  • Omolu / Obaluaê: Orixá da terra e do sol. É o senhor das doenças e, consequentemente, o senhor das curas. Veste-se com palha da costa para cobrir seu corpo e seus mistérios.

  • Oxalá: O mais velho e respeitado dos Orixás. Foi o responsável por criar a forma humana. Representa a paz, a sabedoria, a paciência e a pureza. Sua cor é o branco absoluto.

A Diferença entre os orixás no Candomblé e na Umbanda

Embora cultuem as mesmas divindades, o Candomblé e a Umbanda possuem visões teológicas diferentes sobre os Orixás:

Característica Candomblé Umbanda
Origem e Natureza São energias puras da natureza e ancestrais africanos divinizados. São encarados como manifestações do Deus único, atuando como “vibrações” universais.
Incorporação Ocorre o transe onde o próprio Orixá se manifesta (trazendo sua energia pura). Orixás não incorporam diretamente. Quem incorpora são os guias (Caboclos, Pretos Velhos) que atuam na “linha” vibratória daquele Orixá.
Idioma Ritualístico Os cânticos e ritos são conduzidos predominantemente em idiomas africanos (como o iorubá). Os pontos cantados e os ritos são conduzidos em língua portuguesa.

Sincretismo religioso

Durante o período colonial e imperial no Brasil, a prática das religiões africanas era proibida e duramente perseguida.

Para continuarem cultuando seus Orixás sem sofrer punições dos senhores de engenho e da Igreja Católica, os escravizados criaram o sincretismo religioso.

Eles associavam as características de um Orixá a um santo católico correspondente. Quando pareciam estar rezando para a imagem de um santo europeu, estavam, na verdade, reverenciando suas próprias divindades.

Exemplos clássicos de sincretismo:

  • Oxalá: associado a Jesus Cristo (Senhor do do Bonfim).

  • Iemanjá: associada a Nossa Senhora dos Navegantes ou Nossa Senhora da Conceição.

  • Ogum: associado a São Jorge (no Rio de Janeiro e sul do país) ou Santo Antônio (na Bahia).

  • Xangô: associado a São Jerônimo ou São João Batista.

Hoje, embora o sincretismo ainda seja muito presente na cultura popular, muitas casas de Candomblé têm adotado o processo de “dessincretização”, buscando resgatar a forma mais pura do culto africano original, desvinculando os Orixás das imagens católicas.

Pedagogo, graduando em Direito, especialista em Docência para o Ensino Superior e em Educação de Jovens e Adultos. Pesquisador das relações de gênero e raciais, e apaixonado por justiça social. Criador do portal Toda Disciplina, onde compartilha conhecimento e debates sobre educação, direitos humanos e cultura.

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