Newton Navarro: biografia, obras e a história

Se você vive em Natal ou já visitou a cidade, com certeza já atravessou a imponente ponte que liga a Redinha ao bairro de Santos Reis. Mas você sabe quem foi o homem que dá nome a ela?

Newton Navarro não foi apenas um nome de ponte. Ele foi um artista múltiplo: desenhista, jornalista, pintor, poeta, contista e dramaturgo. Foi o homem que, com pincéis e palavras, melhor traduziu a alma do Rio Potengi e dos pescadores potiguares.

Considerado o pioneiro do Modernismo nas artes plásticas do Rio Grande do Norte, Navarro rompeu com o tradicionalismo acadêmico e trouxe traços fortes e cores vivas para retratar o povo nordestino.

Neste artigo, o Toda Disciplina conta a história desse gigante da cultura potiguar.

Biografia 

Newton Navarro Bilro nasceu em Natal (RN), no dia 8 de outubro de 1928, na casa de sua avó na Avenida Rio Branco, no bairro Cidade Alta. Embora tenha passado a infância no interior (Jardim de Angicos), sua alma sempre pertenceu às margens do Rio Potengi, na capital potiguar.

Sua carreira artística começou cedo. Em 1948, com apenas 20 anos, ele chocou a conservadora sociedade natalense ao realizar a primeira exposição de arte moderna da cidade.

Enquanto todos esperavam pinturas clássicas de paisagens, Navarro apresentou traços ousados, influenciados pelo cubismo e expressionismo.

Além das telas, ele dominava a escrita. Foi colunista de jornais importantes como A República e Tribuna do Norte, onde publicava crônicas líricas sobre o cotidiano da cidade.

Faleceu em sua cidade natal em 18 de março de 1992, deixando um legado que mistura literatura e artes visuais como poucos conseguiram fazer no Brasil.

Principais obras

Navarro era um artista “anfíbio”: transitava entre a literatura e a pintura com a mesma genialidade.

1. Nas artes plásticas

Seu foco era o regionalismo moderno. Ele não pintava apenas por pintar; ele documentava a vida simples.

  • Temas recorrentes: Pescadores, rendeiras, o Rio Potengi, os saveiros, a prostituição no bairro da Ribeira e a vida nos subúrbios.

  • Estilo: Traço rápido, forte, com influências de Portinari, mas com uma identidade própria, muitas vezes usando nanquim e aquarela.

2. Na literatura

Sua escrita era visual. Ler Navarro é como ver um quadro sendo pintado.

  • “Os Mortos são Estrangeiros” (Contos): Talvez sua obra-prima literária.

  • “Subúrbio do Silêncio” (Poesia): Onde ele explora a melancolia da cidade.

  • “Beira-Rio” (Crônicas): Textos jornalísticos que são verdadeira poesia em prosa sobre Natal.

Curiosidades sobre Newton Navarro

  • A Ponte Newton Navarro: Inaugurada em 2007, a ponte estaiada que liga a Zona Norte à Zona Leste recebeu seu nome não por acaso. Ela passa exatamente sobre o Rio Potengi e conecta a Redinha à Ribeira, os dois cenários que ele mais amou e pintou durante toda a vida. 

Localizada em Natal, a Ponte Newton Navarro é uma homenagem ao artista potiguar.
Localizada em Natal, a Ponte Newton Navarro é uma homenagem ao artista potiguar. Foto: Reprodução/Canindé Soares
  • Amizades de Peso: Navarro era respeitado nacionalmente. Tinha amizade com gigantes como Jorge Amado, Carlos Drummond de Andrade e o pintor Di Cavalcanti.

  • A Escolinha de Arte: Ele foi o primeiro diretor da Escolinha de Arte Cândido Portinari em Natal, ajudando a formar gerações de novos artistas potiguares.

Pedagogo, graduando em Direito, pesquisador das relações de gênero e raciais, e apaixonado por justiça social. Criador do portal Toda Disciplina, onde compartilha conhecimento e debates sobre educação, direitos humanos e cultura.

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