A ascensão de Delcy Eloína Rodríguez Gómez à presidência da Venezuela, em 3 de janeiro de 2026, não foi fruto de uma eleição convencional, mas o ápice de uma crise sem precedentes, que está no centro de uma crise internacional, envolvendo direta e indiretamente diversos países, incluindo Rússia, China e Coreia do Norte.
Após a captura de Nicolás Maduro por forças especiais norte-americanas, Delcy — que ocupava a vice-presidência desde 2018 — assumiu o comando do país sob o olhar atento da comunidade internacional.
Mas, afinal, quem é a mulher que agora lidera a nação em seu momento mais crítico?
História
Nascida em Caracas, em 18 de maio de 1969, Delcy não entrou na política por acaso; ela carrega o legado de uma linhagem revolucionária.
Filha de Jorge Antonio Rodríguez, fundador da Liga Socialista, importante organização política de esquerda venezuelana, e considerado um “mártir” pelo chavismo após morrer sob custódia policial na década de 70, ela e seu irmão, Jorge Rodríguez (atual presidente da Assembleia Nacional), cresceram no epicentro da militância de esquerda venezuelana.
Formação Acadêmica e Carreira Jurídica
Diferente de muitos líderes militares do regime, Delcy tem uma base acadêmica sólida e internacional.
Formou-se em Direito pela Universidade Central da Venezuela, mas buscou especialização na Europa.
Exercendo a profissão de advogada, especialmente como consultora jurídica de líderes do chavismo, como Hugo Chavez.
Estudou Direito Social na Universidade de Nanterre, em Paris, e concluiu um mestrado em Política Social na Universidade de Birkbeck, em Londres.
Essa bagagem jurídica a permitiu transitar com facilidade entre a retórica ideológica e a burocracia estatal, tornando-a uma das negociadoras mais astutas do governo Maduro.
A “chanceler de ferro” e a ascensão ao poder
Antes de chegar à presidência, Delcy percorreu quase todos os postos-chave do Estado.
Foi Ministra da Comunicação e, mais notavelmente, Ministra das Relações Exteriores (2014-2017), onde ganhou o apelido de “Chanceler de Ferro” por sua defesa intransigente da soberania venezuelana em fóruns como a OEA.
Em 2017, presidiu a Assembleia Nacional Constituinte, órgão criado para contornar o legislativo opositor, consolidando-se como a face civil mais poderosa do regime.
Sua nomeação como vice-presidente em 2018 foi o sinal definitivo de que ela era a sucessora natural de Maduro.

O desafio de 2026: entre a resistência e a transição
Com a prisão de Maduro e a intervenção direta dos Estados Unidos, Delcy Rodríguez assume uma Venezuela fragmentada.
Embora tenha declarado inicialmente que Maduro segue sendo o “único presidente legítimo”, sua posse interina, determinada pelo Tribunal Supremo de Justiça, a coloca em uma posição delicada: liderar a resistência interna enquanto lida com as pressões de Washington e a necessidade de manter a estabilidade econômica e social do país.
Atualizado por último em: 09/01/2026 às 08:31
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