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Tenentismo: entenda o que foi, o que gerou e como surgiu

O que foi o Movimento Tenentista?

Surgido durante a “República Velha” (1889-1930), mais especificamente na década de 1920, o tenentismo foi um movimento político e militar que era composto por militares de baixas e médias patentes.

Afinal, o que eles queriam? Simples: derrubar a primeira república e instituir diversas reformas no Estado Brasileiro.

O nome do movimento se dá porque foi capitaneado por tenentes, que eram a maioria no corpo militar da época.

Tenentismo: Foto de Tenentes do Movimento Tenentista
Integrantes do Movimento Tenentista na década de 1920 Foto: Reprodução/Internet

Antecedentes e o que gerou o Tenentismo?

A história da Primeira Guerra Mundial alertou às elites dirigentes do Brasil que elas deveriam reforçar suas forças armadas.

Assim, foram adotadas duas medidas: o recrutamento universal e a chegada da Missão Francesa para formar as forças brasileiras.

Porém, nem tudo foi como o planejado. No início da década de 1920 faltava tudo no exército brasileiro.

Armamento, cavalos, medicamento eram itens que constantemente ficavam indisponíveis. Assim como, os salários precários.

Além disso, os oficiais ficaram bastante irritados com o presidente Epitácio Pessoa após nomear Pandiá Calógeras para o Ministério da Guerra.

A situação afetava principalmente os tenentes.

Os tenentes passavam por promoções muito lentas. Um segundo-tenente podia demorar dez anos para alcançar a patente de capitão.

Todo este caldo de insatisfações políticas, sociais e militares que deu origem ao tenentismo.

Os 18 do Forte

A primeira aparição pública do Movimento Tenentista ocorreu em 5 de julho de 1922, no Rio de Janeiro, então capital federal.

Comandado pelos tenentes, o levante foi uma resposta contra a posse do presidente eleito Artur Bernardes, representante das oligárquicas.

18 do Forte: Monumento ao Tenentismo.
Monumento aos 18 do Forte localizado na Avenida Atlântica, Copacabana (RJ). Foto: Reprodução

Afinal, outros dois motivos de insatisfação culminaram no levante: a prisão do Marechal Hermes da Fonseca e as cartas de Bernardes criticando os militares.

Pois, durante todo aquele dia 5, rebeldes do forte de Copacabana dispararam seus canhões contra vários alvos relacionados ao próprio Exército.

Inclusive, o Comando Militar teve que fugir do Ministério da Guerra.

Apenas no dia 6 que o confronto teve fim com os revoltosos abandonando o forte e marchando pela Avenida Atlântica de encontro às forças do Exército, que não se juntaram no levante.

Ou seja, estavam indo de encontro a mais de 8 mil militares.

Claro, tudo terminou em um grande tiroteio. Resultado: várias casas atingidas e dezenas de mortos.

Os 18 do Forte foram os que resistiram até o fim no meio de 301 revolucionários, a enorme maioria debandou no meio da revolta.

Dentre os 18 que marcharam por Copacabana apenas dois sobreviveram: os Tenentes Siqueira Campos e Eduardo Gomes.

Apesar de tudo, a curiosidade é que um civil entrou para a história ao ingressar a fileira dos dezoito: Otávio Correia

Após este evento, Bernardes assumiu a presidência em novembro sob estado de sítio decretado por causa do levante.

O Tenentismo continua: A Revolta Paulista de 1924

A segunda revolta do movimento tenentista ocorreu em 5 de julho de 1924.

Desta vez, o líder foi o general Isidoro Dias Lopes, que era muito respeitado pelos tenentes.

Todavia, as pautas continuavam as mesmas que 1922: fim do voto de cabresto, deposição de Arthur Bernardes e a derrubada da velha república.

Também possuíam o desejo de reformas sociais, como a gratuidade da justiça e reformas no ensino público.

Tudo começou quando cerca de mil militares ocuparam a cidade de São Paulo após bombardearem a sede do governo paulista da época, o Palácio dos Campos Elísios.

O levante forçou o então presidente do estado de São Paulo, Carlos de Campos, a fugir para o bairro da Penha (SP).

Entretanto, o Tenentismo desta vez conseguiu a chegar nos interiores, inclusive conquistando diversas prefeituras em municípios paulistas.

Mas, a resposta de Arthur Bernardes chegou rápido: aviões do governo federal bombardearam São Paulo.

Temendo que trabalhadores apoiassem o Tenentismo, bombardearam bairros operários, como Mooca e o Brás.

Inevitavelmente a revolta e a reação do governo federal causou diversos transtornos e até mortes.

Aproximadamente 300 mil pessoas tiveram que se deslocar da cidade para fugir das bomba.

500 pessoas foram mortas e mais de 5 mil foram feridas, sendo a maioria civis.

Após 23 dias do levante, os tenentistas sofrendo diversas derrotas, partem em direção ao sul do país.

Com a finalidade de encontrarem ninguém menos que Luís Carlos Prestes.

O auge do Tenentismo: a Coluna Prestes

Luís Carlos Preste: A Coluna Prestes e o Tenentismo.
O tenentismo teve seu auge com a Coluna Prestes. Foto: Reprodução da Internet.

Ao mesmo tempo que ocorria a revolta em São Paulo, também houve o levante no Rio Grande do Sul.

O que unia o Movimento Tenentista nestas revoltas era a luta pela queda da República Velha.

Foi em 1925 que o tenente Luis Carlos Prestes começou a liderar um grupo tenentista no Rio Grande do Sul.

O ponto que culminou o início da Coluna Prestes foi o encontro no Paraná com os tenentistas de São Paulo.

Enfim, com cerca de 1500 homens, a Coluna iniciou marcha que percorreu 25 mil quilômetro e 11 estados.

A fim de levantar a população contra o governo, por onde passava, a Coluna pregava reformas sociais e políticas.

Apesar de utilizar a tática de guerrilha, a Coluna entrou poucas vezes em confronto direto com as forças da República Velha e dos Coronéis.

Principalmente pelo fato de evitar uma reação do Estado como na Revolta Tenentista de 1924.

Durando 3 anos (até 1927), foi eficaz no desgaste do governo, que culminou com a Revolução de 1930.

Conclusão

Por coincidir com as aspirações das classe operária e médias urbanas, o Tenentismo teve grande influência e prestígio na sociedade.

Além dos levantes que já vimos, houve ainda a Comuna de Manaus, em 1924.

Lideranças como Luis Carlos Prestes conquistaram grande popularidade, mesmo décadas após o movimento.

Assim, podemos afirmar que o Movimento Tenentista foi o início do fim da Velha República e foi marcante na construção do Brasil do século XX.

O Tenentismo foi o princípio embrionário que gerou a Revolução de 1930.

Também dos direitos trabalhistas, sociais e políticos conquistados com ela.

Daniel Romão (jornalista)

Daniel Romão (jornalista)

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida (RJ). Registro profissional como Jornalista pelo Ministério do Trabalho sob o número 0040255/RJ.

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