Maracatu: conheça o significado, a origem e características

Quem anda pelo Recife, Olinda ou Nazaré da Mata em clima de Carnaval já sabe: se tem tambor roncando, tem Maracatu chegando. Mas o som não aparece só em fevereiro, não.

Em qualquer época do ano, essas cidades respiram a batida forte e cadenciada dessa manifestação que mistura cultura, religião e resistência.

O destaque foi para as três cidades, pois elas são as que mais evidenciam a manifestação popular e cultural que recebe o nome de maracatu.

Porém, a reverência a ele não é de agora. De acordo com documentos encontrados na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos da Vila de Santo Antônio do Recife, fala-se sobre o maracatu desde o ano de 1674.

Tudo pode ter iniciado através da miscigenação musical das culturas portuguesa, indígena e africana. É de berço que o maracatu se origina, da instituição dos Reis Negros, já conhecida nos países da França e Espanha, no século XV e em Portugal, no século XVI.

A corte do maracatu

Pelo que já deu para perceber, o maracatu é uma manifestação muito rica e cheia de significados. Ela também tem um forte apelo religioso.

À medida que as irmandades foram perdendo força, os maracatus passaram a fazer suas apresentações durante o Carnaval, principalmente o de Recife.

Na verdade, tudo segue um rito, desde as melodias executadas nos instrumentos, passando pelas cantorias até os personagens que circundam o universo.

São figuras do maracatu o rei, rainha, dama-de-honra da rainha, dama-de-honra do rei, príncipe, princesa, dama-de-honra do ministro, ministro, dama-de-honra do embaixador e embaixador.

Ainda são identificados na manifestação o duque, duquesa, conde, condessa, quatro vassalos, quatro vassalas, três calungas, três damas-do-paço (responsáveis pelas calungas durante o desfile), porta-estandarte, escravo, figuras do tigre e do elefante, guarda coroa, corneteiro, baliza, secretário, lanceiros, brasabundo, batuqueiros, caboclos e baianas.

O barulho do maracatu

Na percussão a atenção se volta para os grandes tambores, chamados alfaias, que são tocados com talabartes (baquetas especiais para o instrumento). Estes dão o ritmo ou o baque da música e são acompanhados pelos caixas ou taróis, ganzás e um gonguê ou agogô.

Além da parte mística, outra característica do maracatu do baque solto é o próprio som que os instrumentos fazem. Eles são tocados com toda efervescência, marcando o compasso das apresentações.

Nesse universo, dois tipos de maracatu são identificados: o Maracatu Rural, também conhecido como maracatu de baque solto e Maracatu Nação, também conhecido como maracatu de baque virado.

Baque solto

Distingue-se do maracatu de baque virado em organização, personagens e ritmo. O cortejo também diferencia-se por suas características musicais próprias e pela essência da sua origem refletida no sincretismo presente em cada um dos personagens. A orquestra é formada por instrumentos de percussão e sopro.

Baque virado

Já o maracatu de baque virado é formado por uma percussão que acompanha um cortejo a instituição que compreendia um setor administrativo e outra, festivo, com teatro, música e dança.

A parte falada foi sendo eliminada lentamente, resultando em música e dança próprias para homenagear a coroação do rei Congo.

Os Maracatus de Baque Virado sempre começam em ritmo compassado, que depois se acelera, embora jamais alcance um andamento muito rápido.

Antes de se ouvir a corneta ou o clarim, que precedem o estandarte da Nação, é a zoada do “baque” que anuncia, ao longe, a chegada do Maracatu.

Atualizado por último em: 26/08/2025 às 12:35

Pedagogo, graduando em Direito, pesquisador das relações de gênero e raciais, e apaixonado por justiça social. Criador do portal Toda Disciplina, onde compartilha conhecimento e debates sobre educação, direitos humanos e cultura.

Publicar comentário