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Manipulação da mídia: as principais teorias do jornalismo

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A mídia televisa é um dos principais meios de manipulação na história moderna do jornalismo. Foto: Reprodução/Internet /Yogui

Atualmente com o fortalecimento cada vez maior das redes sociais, muito se pergunta sobre o papel do jornalismo no mundo. E, claro, se realmente existe manipulação da mídia.

Dessa forma, é muito questionado pelos cidadãos se a imprensa mente…….ou manipula.

Assim, o Toda Disciplina apresenta o atual artigo explicando o que é imprensa, falaremos também sobre as atuais fake news, os estudos acerca do jornalismo e suas principais teorias, indicaremos filmes que retratam a questão da manipulação da mídia entre outros assuntos.

O que é a imprensa?

O termo imprensa surge no século XV, quando Johannes Gutenberg criou a prensa móvel.

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A imprensa mente? Veja a Prensa de Gutenberg, de onde vem o termo imprensa. Foto: Reprodução/Internet

Justamente por causa de sua função de fazer impressão em massa de livros, a máquina foi o pontapé inicial do surgimento da imprensa.

Obviamente o nome foi “imprensa”, pois esta era a tecnologia mais sofisticada na época: a impressão.

Porém, a prensa foi criada em 1440.

Mas, só foi utilizada para imprimir jornais no início do século XVIII!

Assim, os primeiros jornais criados possuíam caráter político e partidário.

Ou seja, as notícias ainda não eram o principal norte dos veículos de comunicação, mas sim a propagação de ideais.

Os jornais nessa época eram utilizado para propagandear ideologias.

Justamente por este motivo ainda não havia muito movimentos contestando: “a imprensa mente?”.

Mas, não devemos reduzir a isso, pois os jornais eram muito usados por políticos para caluniar adversários.

A manipulação era utilizada como forma de disputa política e ideológico.

Porém, na época grandes massas de operários e camponeses eram analfabetos.

Assim, alijados do debate na esfera pública.

Contudo tudo mudou com o desenvolvimento do capitalismo e das tecnologias.

A notícia como mercadoria

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A notícia é tratada como se fosse uma mercadoria para servir uns e atacar outros. Foto: Reprodução/Internet

Durante os séculos XIX e XX, o jornalismo transformou-se completamente.

Pois, se antes era utilizado como arma política, a partir de então passou a ser usada com fins comerciais.

Porém, ainda permaneceu a questão ideológica.

Mas, desta vez os veículos de comunicação passaram a ser porta-vozes dos interesses econômicos de seus proprietários.

Logicamente eles coadunavam estes interesses em ideologias que os beneficiassem financeiramente, como o neoliberalismo.

E isto ocorre até hoje através, inclusive, da manipulação da mídia.

Surpreendentemente há uma grande contradição neste período.

Pois, se por um lado ocorreu a concentração dos veículos de comunicação nas mãos de poucos mega empresários;

Por outro, o jornalismo desenvolveu-se como nunca antes na história.

A partir do início deste período surgiram diversos outros meios de comunicação.

Antes o que era só jornal, passou a ser composto por emissoras rádio e televisão.

Além disso, começaram as propagandas nestes meios de comunicação, o que aumentou o capital dos empresários de comunicação.

Mas, também fortaleceu a profissão de jornalista, que, apenas no século passado, foi vista como um “emprego formal”.

Também foi preferido a objetividade ao noticiar fatos e eventos cotidianos.

Para isto, criaram até o lead.

Juntamente com esta objetividade, veio a imparcialidade.

Pois, agora era necessário ter um público consumidor de notícias cada vez maior, sem ser reduzido a grupos políticos.

Público que cada vez mais aumentava, pois o analfabetismo diminuía com o passar do século XX.

Porém, nem tudo eram flores.

Afinal, com todas essas inovações surgiram também grupos de estudiosos que começaram a refletir sobre o papel da imprensa, manipulação da mídia e essa suposta “imparcialidade”.

Assim, surgiram as teorias da comunicação.

Estudos sobre o jornalismo

Diversas escolas foram criadas ao redor do mundo para estudar a denominada comunicação de massa.

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Muitos defendem que a imprensa em todo o mundo toma um partido, uma ideologia, um “lado da história”. Além disso, manipula os fatos que são transmitidos aos ouvintes, leitores e telespectadores. Foto: Reprodução/Internet

A teoria que queria controlar a população através da manipulação da mídia

Umas delas foi a Escola Norte-Americana, que criou o conceito da Teoria da Agulha Hipodérmica.

O objetivo do estudo desta teoria foi compreender como a comunicação influencia no comportamento da população.

Ou seja, os estudos iam além da pergunta de “a imprensa mente?”.

A definição central desta teoria é a de que toda mensagem enviada pelos meios de comunicação terá resposta do indivíduo que a recebe.

Porém, a teoria afirma que não há resistência por parte do receptor em receber a mensagem.

Assim, a principal razão de existir esta teoria era para descobrir como controlar o povo.

A teoria que disse que os meios de comunicação são utilizados para manipulação

Surgida em 1923, a Escola de Frankfurt foi criada por marxistas da Universidade de Frankfurt.

Entre seus membros encontrava-se Max Horkheimer, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Jürgen Habermas, Walter Bejamin.

Baseando-se na Teoria Crítica, que era centrada na crítica ao capitalismo, iluminismo e à Revolução Industria, a Escola de Frankfurt estudou a massificação da cultura pelos meios de comunicação.

Assim, criaram o conceito da Industria Cultural.

A base central deste conceito era o de a transformação da cultura em mercadoria durante o capitalismo.

Dessa forma, esta indústria cultural é utilizada pelos proprietários dos meios de comunicação e seus aliados, como governos, setores da indústria e o sistema financeiro; para transmitir à população suas ideias, ou seja, a ideologia dominante.

Este conceito baseia-se em Karl Marx, que disse em seu livro “A ideologia alemã”:

“As ideias dominantes em uma época são as ideias da classe dominante desta época”.

frase de Karl Marx

A escola de um homem só

Outro estudioso que contribuiu enormemente para os estudos em jornalismo foi o sociólogo francês Pierre Bordieu.

Apesar de ter sido um grande jogador de rugby da Escola Normal Superior de Paris, ficou mesmo conhecido pela sua explicação do porquê a mídia mente… ou não.

Apesar de ele não ter feito parte de nenhuma Escola, fez sucesso nos meios acadêmicos com o livro “A Influência do Jornalismo”.

Neste livro, o sociólogo afirma que o atual jornalismo é completamente dominado por pressões de todos os lados.

Desde necessidade de audiência até obediência a padrões condicionados pelo mercado de leitores e anunciantes.

Assim, Bordieu demonstrou que o atual jornalismo sucumbiu completamente aos interesses econômicos de determinados grupos empresarias ou de governos.

E até das preferências e gostos de seu público.

Dica de filmes que retratam a manipulação da mídia

Um Dia de Cão(filme de 1975)

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Em Um Dia de Cão, Al Pacino interpretou um assaltante. Foto: Reprodução/Internet

No filme Um Dia de Cão, lançado nos cinemas em 1975, o ator Al Pacino interpreta um assaltante de banco.

Na trama, que é baseada em fatos reais, dois criminosos (um é o personagem de Pacino), são descobertos pela polícia antes de conseguir sair de um banco que acabava de assaltar. Encurralados, os mesmos fazem os funcionários como refém.

O roubo, que deveria durar em média 10 minutos, acabou durando horas, devido, principalmente, a cobertura midiática. Aquela situação tornou-se um circo para jornalistas. Sendo transmitido ao vivo para todo o país. Atrapalhando, inclusive, o trabalho das autoridades que tentava por fim aquele caso.

O Beijo no Asfalto (filme de 1981)

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Tarcísio Meira atuou em O Beijo no Asafalto, de 1981. Foto: Reprodução/Internet

O filme nacional O Beijo no Asfalto, lançado em 1981, que tem sua trama baseada em uma peça homônima escrita por Nelson Rodrigues, retrata a história de um homem que ao presenciar um atropelamento tenta socorrer a vítima.

Daí, o homem que fora atropelado e estava prestes a morrer pede-lê um beijo. Os dois se beija. Entretanto, o beijo passa a repercutir na mídia sensacionalista. Com isso, o homem passa a sofrer preconceito. Além disso, a polícia o investiga, após a repercussão da imprensa sensacionalista, como que o acidente fosse na verdade uma tentativa de homicídio.

Vale a pena assistir aos dois filmes!!!

Manipulação da mídia ou notícia?

A imprensa mente ou há manipulação da mídia através de fatos verdadeiros?

Ambos os fatos podem ocorrer, assim como o de veículos de comunicação e jornalistas serem comprometidos com a verdade.

Assim, é importante separar a informação dos meios de comunicação em dois tipos:

  1. Notícias verdadeiras: são as que possuem fatos comprovados através de histórias, depoimentos verídicos, documentos e devidamente apurado pelo jornalista, conforme estabelece o código de ética da profissão de jornalista.
  2. Fake News: são as falsas. Geralmente feita por pessoas sem formação jornalística, sensacionalistas, sem fatos, documentos que comprovem a veracidade. Além disso, é muito comum que as chamadas fakes news sejam usadas para favorecer uns e prejudicar outros.
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Mais recententemente as fake news têm ganhado cada vez mais espaço principalmente no mundo online. Foto: Reprodução/Internet

Porém, mais um fator deve ser levado em consideração na hora de refletir sobre determinada notícias: os interesses por traz do anunciador da mensagem.

Pois, por trás de notícias verdadeiras podem haver opiniões a fim de manipular a verdade.

O que também é considerado Fake News.

Por exemplo: um jornal notícia que o PIB cresceu e faz grande matéria positiva sobre isto.

Mas, simultaneamente que o PIB cresceu, a desigualdade social também aumentou.

E este fato o jornal não noticiou.

Assim, é provável que o proprietário do meio de comunicação ou do jornal possua interesses financeiros, políticos ou ideológicos com a omissão da notícia de que a desigualdade cresceu.

A imprensa mente?

A conclusão que chegamos é que cada vez mais precisamos tomar cuidado com o que recebemos de notícia.

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Cade vez mais é importante ficarmos atentos às fakes news. Este manual, elaborado pela Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias (IFLA), dá dicas de como identificá-las. Foto: Reprodução/Internet/IFLA

E o mais importante: sempre mantenha o pensamento crítico nesta e em qualquer circunstância da vida.

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Daniel Romão (jornalista)

Daniel Romão (jornalista)

Bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, pela Universidade Veiga de Almeida (RJ). Registro profissional como Jornalista pelo Ministério do Trabalho sob o número 0040255/RJ.

Paulo Silva (graduando em Pedagogia)

Paulo Silva (graduando em Pedagogia)

Graduando em Pedagogia no Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi) e jornalista com registro profissional no Ministério do Trabalho de n° 2022/RN. É editor de conteúdos escolares e universitários do site Toda Disciplina desde maio 2019. Tem interesse em estudos sobre gênero, sexualidade., religiões de matriz africana e protestantes. Contato: paulo@todadisciplina.com.br

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