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Leilane Assunção: a primeira professora universitária trans

Biografia de Leilane Assunção
Leilane Assunção, formada em história pela UFRN, se tornou a primeira mulher transsexual a lecionar em uma universidade brasileira. Foto: Reprodução/Tribuna do Norte

Leilane Assunção (1981-2018), natural da cidade de Ceará-Mirim, no Rio Grande do Norte, tornou-se uma das mais conhecidas ativistas da causa LGBT, da defesa dos direitos humanos e dos animais do Brasil.

Foi uma historiadora, mestra e doutora em Ciências Sociais, professora universitária e mulher transgênero brasileira.

História

Embora tenha nascido na cidade de Ceará-Mirim (RN), na Região Metropolitana de Natal (RN), Leilane morava desde a adolescência na capital do estado, Natal, e em Parnamirim (RN), cidade vizinha.

Ao adentrar às portas da universidade, onde construiu uma admirável carreira como aluna e, em seguida, docente, Leilane vivenciou um novo mundo que foge à realidade da população de travestis e transexuais do Brasil.

Em 2001, Leilane ingressou na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) no curso de graduação em História.

Alguns anos depois, mas antes de concluir o curso, Leandro, seu nome de batismo, assumiu definitivamente sua identidade de gênero, passando a se chamar Leilane. Foi nessa mesma instituição em que ela fez mestrado em história, doutorado e pós-doutorado em Ciências Sociais.

Para se ter ideia da importância da luta travada por Leilane, o Brasil é considerado um dos piores países do mundo para a comunidade LGBT, principalmente para travestis e mulheres e homens transexuais.

Em novembro de 2016, um relatório publicado pela organização Transgen Europe(TGEu), revelou que foram mortas 868 travestis e transexuais nos últimos oito anos no Brasil, tornando-o um dos países do mundo mais violentos para esse público.

Ela era uma mulher transsexual que transgrediu, em vida, diversas normas sociais impostas pela sociedade – ela foi a primeira mulher trans a lecionar em uma universidade no Brasil, a primeira mulher trans a adquirir um título de doutorado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) bem como a primeira discente e docente da instituição federal potiguar a obter o direito de usar seu nome social em conformidade à sua identidade de gênero entre outras diversas vitórias morais, sociais e jurídicas, dentro e fora da universidade.

Essas conquistas alcançadas por Leilane dentro da universidade foram um marco para toda a comunidade LGBT. Como ela mesmo questionava: como quê, em uma população de mulheres e homens trans no Brasil calculada em cerca de um milhão de pessoas, como apenas agora temos uma das primeiras trans com doutorado na história de nosso país?

Mais que uma mulher transsexual, Leilane era uma representatividade da comunidade LGBT.

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Leilane em entrevista ao extinto Novo Jornal em Natal. Foto: Reprodução/Novo Jornal

Ela era um exemplo de que com oportunidades, igualdade de gênero e combate à homofobia, se é sim capaz de termos mais mulheres e homens transexuais exercendo seus papéis de direito na sociedade; na escola, na universidade e entre outros espaços públicos.

Morte

Leilane Assunção morreu no dia 13 de novembro de 2018 aos 37 anos de idade. A professora faleceu em virtude de uma pneumonia.

De acordo com amigos que a acompanhavam no hospital, com um quadro de pneumonia, ela foi internada no Hospital Giselda Trigueiro, em Natal. Durante a internação, a doutora teve uma certa melhora, inclusive gravando vídeos para amigos, entretanto, devido ao agravamento de um quadro infeciosos, veio a falecer na Unidade de Terapia Intensa (UTI) trinta dias depois do ingresso na unidade hospitalar.

Entrevistas

Prêmios

A professora Leilane Assunção recebeu em 2011 o Prêmio Nacional de Direitos Humanos pela defesa dos direitos de travestis e mulheres transexuais.

Leilane Assunção recebendo o prêmio de Direitos Humanos na categoria Igualdade de Gênero das mãos da presidente da república à época, Dilma Rousseff, em Brasília, em 2011.
Leilane recebendo o prêmio de Direitos Humanos na categoria Igualdade de Gênero das mãos da presidente da república à época, Dilma Rousseff, em Brasília, em 2011. Foto: Reprodução/Biblioteca da Presidência

Na ocasião, representando a também professora da UFRN e socióloga, Berenice Bento, Assunção recebeu uma condecoração em Brasília das mãos da à época presidente da república, Dilma Rousseff.

Homenagens

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Paulo Silva (graduando em Pedagogia)

Paulo Silva (graduando em Pedagogia)

Graduando em Pedagogia no Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi) e jornalista com registro profissional no Ministério do Trabalho de n° 2022/RN. É editor de conteúdos escolares e universitários do site Toda Disciplina desde maio 2019. Tem interesse em estudos sobre gênero, sexualidade., religiões de matriz africana e protestantes. Contato: paulo@todadisciplina.com.br

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