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Correntes oceânicas: o que são, tipos e muito mais

Grandes ondas como esta muitas vezes geram poderosas correntes oceânicas
Grandes ondas como esta muitas vezes geram poderosas correntes oceânicas. Foto: Reprodução/PixaBay

Ao falar de água, a palavra corrente reflete o movimento realizado pela água. As correntes existem em rios, lagos, pântanos e até mesmo piscinas. Porém, poucos corpos de água dispõem de um sistema de correntes intrincado como o dos oceanos.

As correntes também são encontras em rios. Na foto, o Rio Potengi, localizado em Natal, no Rio Grande do Norte.
As correntes também são encontras em rios. Na foto, o Rio Potengi, localizado em Natal, no Rio Grande do Norte. Foto: Reprodução/Wikimedia/Cláudio Oliveira

Variando de correntes de maré previsíveis a instáveis correntes de retorno, as correntes oceânicas podem ser propelidas por marés, ventos ou diferenças de densidade. Afetam profundamente o clima, o transporte marítimo e a circulação de nutrientes.

Isso ocorre porquê, entre outras coisas, as correntes oceânicas são responsáveis pelas temperaturas mais quentes na Europa Ocidental, permitem que a Antártida sustente vasto volume de vida vegetal e animal, e uma grave perturbação em seus padrões causou uma extinção em massa de 95% da vida marinha há 250 milhões de anos.

Um determinado tipo de corrente oceânica chega até a esvaziar continuamente um oceano no outro, o que em geral faz com que as águas deles sejam trocadas a cada mil anos.

O conhecimento das correntes oceânicas é essencial nos setores de navegação e pesca, e útil para operações de busca e resgate, limpeza de materiais perigosos, e navegação e natação esportiva.

Usando uma combinação de previsões e de medições em tempo real dos padrões de corrente, os navegadores podem atracar e desatracar barcos, equipes de resgate determinam para onde uma pessoa desaparecida pode ter derivado, equipes de limpeza localizam a direção do movimento de material derramado e surfistas se posicionam para apanhar a onda perfeita.

Caso deseje saber mais sobre as correntes locais, como aquelas que o puxam para o mar alto em uma visita à praia, ou sobre as correntes mundiais que circulam o planeta, este artigo oferecerá respostas sobre todas as questões básicas referentes a correntes oceânicas.

Tipos de correntes oceânicas: correntes de superfície

As correntes oceânicas que ocorrem a uma profundidade de 100 metros ou superior, são classificadas como correntes de superfície. As correntes de superfície, divididas em correntes costeiras e correntes oceânicas de superfície, são lançadas primordialmente pelos ventos.

Se você costuma ir à praia, certamente já deve ter visto as correntes costeiras. Essas correntes de superfície também afetam as formações de ondas e a terra. Para compreender melhor as correntes costeiras, é preciso primeiro compreender as ondas.

As ondas

À medida que o vento sopra através do oceano, ele arrasta a água da superfície, e o acúmulo de energia forma ondas. A velocidade do vento, a distância pela qual ele sopra e a duração de seu efeito afetam o tamanho das ondas.

Caso o vento seja rápido, dure muito e percorra largas distâncias na mesma direção, ondas maiores se formam. As ondas quebram quando suas bases colidem com a superfície do oceano e elas perdem a estabilidade, se arremessando contra a costa.

A energia liberada quando as ondas se quebram contra a praia cria correntes longitudinais. Quando as ondas se aproximam da costa em ângulo, e não de modo perpendicular, parte da energia da onda atinge a costa de forma perpendicular e parte é orientada em paralelo à costa. Assim, essa energia em segundo plano gera as denominadas correntes longitudinais, que correm em paralelo com a costa.

Ondas se aproximando da costa em ângulo direcionando alguma energia em paralelo à costa e criando correntes longitudinais
Ondas se aproximando da costa em ângulo direcionando alguma energia em paralelo à costa e criando correntes longitudinais. Foto: Reprodução/Internet

As correntes longitudinais

Se você já nadou em uma praia e sentiu a água o arrastando ao longo da costa, sentiu o impacto de uma corrente longitudinal. À medida que essas correntes se deslocam, recolhem sedimentos e os transportam ao longo da praia, em um processo conhecido como deriva longitudinal. 

A deriva longitudinal pode formar estreitas e longas faixas de terra conhecidas como pontas, bem como ilhas costeiras, longas ilhas posicionadas paralelamente à costa. As ilhas costeiras mudam constantemente de forma, porque as correntes longitudinais não param de recolher, mover e redepositar areia.

As correntes de retorno

As correntes de retorno são outra forma de corrente costeira criada quando formações de terra subaquáticas impedem que as ondas fluam diretamente de volta para o mar. Você já deve ter visto placas de alerta sobre correntes de retorno, nas praias.

Elas resultam de ondas quer perderam a energia (ou ondas que já chegaram à costa) e são canalizadas por uma abertura estreita (por exemplo, um rombo em um banco de areia), com grande força.

Imagine o grande volume de água que escapa da banheira quando você abre um pequeno ralo de saída de água e você compreenderá a estrutura geral de uma corrente de retorno.

Ressurgência

Ainda outro tipo de corrente costeira, conhecida como ressurgência, ocorre quando o vento desloca a água da superfície e a arrasta, e água mais profunda sobe para substituí-la.

O processo inverso ocorre quando o vento leva a água da superfície na direção de uma barreira, como uma linha costeira, e o acúmulo resultante de água força a água que está no topo a submergir. Ambos os processos podem ocorrer também no oceano aberto.

A ressurgência e o efeito oposto são cruciais para a circulação de nutrientes no oceano. As camadas e água mais frias e profundas são ricas em nutriente e dióxido de carbono, enquanto as águas de superfície, mais quentes, são ricas em oxigênio. Quando as camadas trocam de lugar, os nutrientes e gases também o fazem.

O efeito de submersão das águas de superfície impede que o oxigênio dissolvido seja usado para causar decomposição de matéria orgânica na superfície, o que pode gerar florescimento de bactérias anaeróbicas e de sulfureto de hidrogênio. A ressurgência, de sua parte, permite o florescimento de ecossistemas em locais nos quais não poderiam fazê-lo de outra forma, como a Antártida.

Enquanto as correntes costeiras são causadas pelos ventos locais, as correntes de superfície no oceano aberto se originam dos padrões eólicos mundiais.

Correntes de maré

Correntes de maré, como o nome sugere, são geradas pelas marés. As marés são na prática ondas longas e lentas criadas pela atração gravitacional da Lua, e em menor grau do Sol, sobre a superfície da Terra. Já que a Lua está muito mais próxima da Terra que o Sol, sua atração exerce mais influência sobre as marés.

A atração gravitacional da Lua força o oceano a se distender nos lados opostos da Terra, o que causa uma elevação no nível de água nos locais alinhados à Lua e uma depressão no nível de água nos locais a meio caminho entre esses dois pontos. A elevação da água é acompanhada por movimento horizontal de água conhecido como corrente de maré.

A corrente de maré difere das correntes anteriormente mencionadas porque não exatamente flui como corrente contínua. Ela muda de direção a cada vez que a maré muda de alta para baixa.

Ainda que as marés e as correntes de maré não tenham grande impacto sobre o oceano aberto, podem criar uma corrente rápida de até 25 km/h quando fluem de e para áreas estreitas como baías, estuários e portos.

Correntes de maré rápidas arrastam sedimentos e afetam a vida animal e vegetal. As correntes podem, por exemplo, levar as ovas de um peixe de um estuário para o mar aberto, ou levar os nutrientes de que um peixe precisa do mar para o estuário.

As mais fortes correntes de maré acontecem por volta do pico das marés altas e baixas.

Quando a maré sobe e o fluxo de corrente é dirigido à costa, a corrente de maré é conhecida como corrente de alta, e quando o movimento ocorre na direção oposta, rumo ao mar, se trata de uma corrente de baixa. Porque as posições relativas da Lua, Terra e Sol mudam em ritmo conhecido, as correntes de maré são previsíveis.

Outras correntes

Algumas correntes de superfície menos conhecidas são responsáveis por eventos significativos. A corrente equatorial, quente e com fluxo a leste, por exemplo, pode deflagrar o padrão climático conhecido como El Niño.

Uma corrente de superfície mais fria, a corrente do Labrador, flui ao longo da costa oeste da Groenlândia e muitas vezes envia icebergs para as rotas de navegação do Atlântico Norte. Essa corrente foi responsável por causar o naufrágio do Titanic.

Paulo Silva
Written By

Graduando em Pedagogia e Serviço Social pelo Centro Universitário Leonardo da Vinci (Uniasselvi) e jornalista com registro profissional no Ministério do Trabalho de n° 2022/RN. É editor de conteúdos escolares e universitários do site Toda Disciplina desde maio 2019. Tem interesse em estudos sobre gênero, sexualidade e religiões de matriz africana e protestantes. Contato: [email protected]

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