Jorge Amado (1912-2001) foi um dos mais importantes, populares e traduzidos escritores da literatura brasileira de todos os tempos. Suas obras foram traduzidas em 49 idiomas.
Membro de destaque da Segunda Fase do Modernismo (fase regionalista), ele dedicou sua vida e obra a retratar a cultura, o sincretismo religioso, as desigualdades sociais e a sensualidade do povo da Bahia.
Suas histórias ultrapassaram as páginas dos livros, ganhando o mundo através de dezenas de adaptações para o cinema, teatro e televisão.
Biografia
Nascido em 10 de agosto de 1912, na fazenda Auricídia, na cidade de Itabuna (BA), Jorge Leal Amado de Faria cresceu em meio às plantações de cacau de Ilhéus, cenário que marcaria profundamente sua literatura.
Ainda jovem, mudou-se para Salvador para estudar e começou a trabalhar em jornais locais, envolvendo-se com a vida boêmia e literária da capital baiana.
Na década de 1930, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ingressou na Faculdade Nacional de Direito. Embora tenha concluído o curso de Direito em 1935, a literatura e o jornalismo já haviam tomado conta de sua vocação.
Política e exílio
A juventude de Jorge Amado foi marcada por um forte engajamento político. Militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), suas primeiras obras eram consideradas “literatura proletária”, focadas em denunciar a exploração das classes trabalhadoras.
Por conta de suas posições políticas, teve livros queimados em praça pública durante a Era Vargas e chegou a ser preso.
Em 1945, foi eleito Deputado Federal por São Paulo, sendo o autor da emenda constitucional que garantiu a liberdade de culto religioso no Brasil.
Com a cassação do PCB em 1947, Amado foi forçado a se exilar, vivendo na França e na Tchecoslováquia com sua esposa, a também escritora Zélia Gattai.
Fases da obra literária de Jorge Amado
A vasta produção de Jorge Amado costuma ser dividida pelos críticos em duas grandes fases:
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Fase Social ou Proletária (décadas de 1930 e 1940): Obras com forte tom de denúncia social. Focam na luta de classes, na exploração dos trabalhadores do cacau, na vida difícil dos marinheiros e no abandono das crianças de rua em Salvador.
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Fase de Costumes ou Sensual (a partir de 1958): Iniciada com o lançamento de Gabriela, Cravo e Canela, essa fase abandona o tom panfletário político.
O autor passa a celebrar o povo baiano com humor, ironia, malícia e forte presença de protagonistas femininas marcantes, além de exaltar a culinária e o candomblé.
Principais Obras de Jorge Amado
Ao longo de mais de seis décadas de carreira, Jorge Amado publicou dezenas de títulos. Destacam-se:
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O País do Carnaval (1931): Seu romance de estreia.
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Cacau (1933) e Terras do Sem Fim (1943): Retratam os conflitos de terras e a exploração dos trabalhadores rurais na zona cacaueira.
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Capitães da Areia (1937): Um de seus livros mais aclamados, que narra a vida de um grupo de meninos abandonados que vivem de pequenos furtos nas ruas de Salvador.
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Gabriela, Cravo e Canela (1958): O grande divisor de águas de sua carreira, focando nas transformações sociais e econômicas de Ilhéus.
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Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966): Uma obra-prima do humor e da sensualidade, explorando o realismo mágico e a moralidade da sociedade baiana.
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Tieta do Agreste (1977): Crítica ácida e bem-humorada à hipocrisia das pequenas cidades do interior.
Curiosidades
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Traduções: É o autor brasileiro mais traduzido no mundo, com obras publicadas em 49 idiomas e em dezenas de países.
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Imortalidade: Em 1961, foi eleito para a cadeira nº 23 da Academia Brasileira de Letras (ABL).
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Reconhecimento: Recebeu o Prêmio Camões em 1994, o maior galardão da literatura em língua portuguesa.
Jorge Amado faleceu em 6 de agosto de 2001, em Salvador, às vésperas de completar 89 anos, em decorrência de insuficiência cardíaca.
Suas cinzas foram enterradas no jardim de sua casa no bairro do Rio Vermelho, que hoje funciona como um museu em sua homenagem.

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